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LabIS

O LabIS - Laboratório de Informática e Sociedade - veio se configurando ao longo de uma caminhada que remonta aos trabalhos e investigações da linha de pesquisa em Informática e Sociedade (IS) do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da COPPE/UFRJ. Uma linha de pesquisa há tempos em busca de um Brasil ainda por inventar, movida pelo desejo de compreender a realidade brasileira para colaborar com a construção de um país mais justo e solidário. Um desejo de contribuir a partir de uma compreensão renovada dos fazeres científicos e tecnológicos - especialmente das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) - suportada pelas novas referências sociológicas, econômicas, históricas e antropológicas que já vem problematizando, desde o século 20, a neutralidade e a universalidade das ciências e das tecnologias.

Procurando fazer jus à relação imbricada entre informática e sociedade, inscrita em sua própria denominação, a linha tem produzido há mais de quinze anos uma série de cursos, pesquisas, simpósios, workshops, artigos, teses e dissertações dedicadas à construção de um conhecimento local interdisciplinar, comprometido com um direcionamento popular e solidário. Uma pequena mostra dos títulos de trabalhos já concluídos pode confirmar o Brasil na berlinda e uma preocupação com as causas das suas populações mais desfavorecidas: “As promessas das TICs para a gestão do SUS: uma reflexão sociotécnica sobre a implantação de um software para a estratégia de saúde da família”, “Inclusões digitais e desenvolvimento social: uma narrativa sociotécnica sobre telecentros, lan houses e políticas públicas”, “O cidadão codificado: a digitalização da cidadania em bancos de dados de interesse público”, “Softwares livres, economia solidária e o fortalecimento de práticas democráticas: três casos brasileiros”.

O Cidadão Codificado e as Promessas das TICs para a gestão do SUS, pesquisas situadas e localizadas nas realidades brasileiras.

A partir de 2015, o curso “Computadores e Sociedade”, disciplina do quarto período do curso de Engenharia de Computação e Informação da Escola Politécnica da UFRJ (ECI/Poli), sob responsabilidade do IS/PESC, tomou o rumo experimental da pedagogia de projetos, propondo aos estudantes de graduação uma experiência de interação entre ensino, pesquisa e extensão pautada pelo desenvolvimento de projetos de TICs que contemplassem soluções e melhorias para a vida comunitária, inclusive aquela do próprio campus do Fundão. Esses projetos propiciaram o estreitamento dos vínculos entre a graduação, a pós-graduação e o “lado de fora” da sala de aula, fortalecendo o viés extensionista das atividades do IS/PESC.

Uma aula com os docentes Henrique Cukierman e Laura Pozzana na disciplina Computadores e Sociedade (turma de 2017).

É por esses caminhos que o LabIS foi se conformando como um projeto de extensão caracterizado por sua interdisciplinaridade, sua proposta de formação dos graduandos e pós-graduandos fundamentada na indissociabilidade do ensino-pesquisa-extensão, sua parceria com outros projetos de extensão e seu compromisso com um Brasil mais igualitário.

Suas atividades atualmente são: desenvolvimento de uma plataforma de jogos educativos populares para smartphones; suporte e desenvolvimento de ações e produtos para a rede brasileira de bancos comunitários de desenvolvimento (moedas sociais digitais); desenvolvimento do LIBRASOffice, uma interface de acessibilidade que incorpora a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) ao pacote de escritório LibreOffice; oferta de cursos de iniciação nas artes e ofícios das linguagens de programação para jovens de escolas públicas estaduais (Ensino Médio).

Aplicativo e-dinheiro, a moeda social digital da rede brasileira de bancos comunitários (esquerda); Damática, um jogo de damas com matemática desenvolvido pela Fabriqueta de Softwares no Vale do Jequitinhonha (centro superior); Cursos de linguagens de programação (direita superior); LIBRASOffice, um software na língua da comunidade surda brasileira (inferior).