Frentes
O LabIS - Laboratório de Informática e Sociedade - conta atualmente com diferentes iniciativas de ensino-pesquisa-extensão, agrupadas nas frentes de trabalho descritas abaixo.
Bens comuns digitais:
Reúne projetos de ensino-pesquisa-extensão que produzam e disponibilizem (sob licenças livres) artefatos de software, tanto como resultado do envolvimento de estudantes em sala de aula e de bolsistas e voluntários graduandos extensionistas e de iniciação científica. Esses artefatos destinam-se a estimular a prática de maratonas de produção de dados sobre as realidades das periferias vulnerabilizadas bem como gerar ou analisar esses dados conjuntamente com suas populações. As discussões e/ou a implementação de infraestruturas de informação adequadas também fazem parte da construção desses softwares, com especial atenção Às (des)conexões dessas infraestruturas com os territórios em que permanecem.
Economias e moedas solidárias:
Reúne projetos de ensino-pesquisa-extensão que visibilizem, fortaleçam e reflitam sobre as experiências de (re)construção de redes econômicas (no sentido de experiências que contemplem a temática da autogestão) e de moedas comunitárias e municipais, em especial em seus processos de digitalização. No Brasil, o termo moedas sociais é o mais utilizado, as quais historicamente são colocadas em circulação por bancos comunitários. Estes são serviços financeiros de natureza associativa e comunitária, com práticas como a concessão de microcrédito, as moedas sociais (válidas em um território restrito), e mais recentemente a transferência de renda via moedas municipais. A frente conta com parcerias com Rede Brasileira de Bancos Comunitários e Municipais e o Observatório de Bancos Comunitários e Moedas Sociais Digitais (OBM).
Economias e moedas solidárias:
Reúne projetos de ensino-pesquisa-extensão que visibilizem, fortaleçam e reflitam sobre as experiências de (re)construção de redes econômicas (com foco nas experiências que contemplem a temática da autogestão) e de moedas comunitárias e complementares, em especial em seus processos de digitalização. No Brasil, o termo mais utilizado é o de moedas sociais , as quais foram pioneiramente colocadas em circulação por bancos comunitários, responsáveis por oferecer serviços financeiros de natureza associativa e comunitária. Tais organizações manejam atualmente moedas sociais digitais tanto através da concessão de microcrédito, como, mais recentemente, por meio de transferência de renda em escala municipal. A frente conta com parcerias com a Rede Brasileira de Bancos Comunitários e Municipais e com o Observatório de Bancos Comunitários e Moedas Sociais Digitais (OBM).
Espaços de informática e ensino-aprendizagem:
Reúne projetos de ensino-pesquisa-extensão que discutam temáticas como a introdução à programação e à informática para estudantes de escolas públicas, através da(o): 1) realização de oficinas e seminários sobre as conexões entre informática e sociedade em suas diferentes relações (tais como informática/gênero e informática/raça); 2); elaboração de recursos digitais para o ensino e a pesquisa; 3) desenvolvimento da pesquisa com estudantes e populações periféricas sobre sua apropriação (e produção) de tecnologias digitais; 4) tradução de materiais acadêmicos para formatos e linguagens adequados a estudantes de escolas públicas; 5) discussão com populações com pouco letramento digital do fenômeno das falsas histórias (FakeNews) propagadas especialmente através das redes sociais digitais. A frente conta com a parceria com o LIpE-Laboratório de Informática para Educação-UFRJ (veja em https://nides.ufrj.br/index.php/o-lipe) .
Mitos e histórias das ciências e tecnologias:
Reúne projetos de ensino-pesquisa-extensão que historicizam fatos e artefatos da tecnociência moderna, com especial atenção à computação e às tecnologias da informação, amparando-se nos referenciais dos Estudos Ciências-Tecnologias-Sociedades (CTS) - que compreendem a engenharia e a sociedade como indissociáveis. Esta frente busca mapear controvérsias atuais e passadas, utilizando, entre as diversas fontes históricas, a base de conhecimento das edições bianuais (desde 2010) do Simpósio da História da Informática na América Latina e no Caribe (SHIALC) (veja em https:/is.cos.ufrj.br/eventos/memória) e, mais especialmente, busca igualmente traduzir tais fatos, artefatos e controvérsias em linguagens adequadas a públicos externos à Universidade.
Histórico
O LabIS - Laboratório de Informática e Sociedade - veio se configurando ao longo de uma caminhada que remonta aos trabalhos e investigações da linha de pesquisa em Informática e Sociedade (IS) do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da COPPE/UFRJ. Uma linha de pesquisa há tempos em busca de um Brasil ainda por inventar, movida pelo desejo de compreender a realidade brasileira para colaborar com a construção de um país mais justo e solidário. Um desejo de contribuir a partir de uma compreensão renovada dos fazeres científicos e tecnológicos - especialmente das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) - suportada pelas novas referências sociológicas, econômicas, históricas e antropológicas que já vem problematizando, desde o século 20, a neutralidade e a universalidade das ciências e das tecnologias.
Procurando fazer jus à relação imbricada entre informática e sociedade, inscrita em sua própria denominação, a linha tem produzido há mais de quinze anos uma série de cursos, pesquisas, simpósios, workshops, artigos, teses e dissertações dedicadas à construção de um conhecimento local interdisciplinar, comprometido com um direcionamento popular e solidário. Uma pequena mostra dos títulos de trabalhos já concluídos pode confirmar o Brasil na berlinda e uma preocupação com as causas das suas populações mais desfavorecidas: “As promessas das TICs para a gestão do SUS: uma reflexão sociotécnica sobre a implantação de um software para a estratégia de saúde da família”, “Inclusões digitais e desenvolvimento social: uma narrativa sociotécnica sobre telecentros, lan houses e políticas públicas”, “O cidadão codificado: a digitalização da cidadania em bancos de dados de interesse público”, “Softwares livres, economia solidária e o fortalecimento de práticas democráticas: três casos brasileiros”.

A partir de 2015, o curso “Computadores e Sociedade”, disciplina do quarto período do curso de Engenharia de Computação e Informação da Escola Politécnica da UFRJ (ECI/Poli), sob responsabilidade do IS/PESC, tomou o rumo experimental da pedagogia de projetos, propondo aos estudantes de graduação uma experiência de interação entre ensino, pesquisa e extensão pautada pelo desenvolvimento de projetos de TICs que contemplassem soluções e melhorias para a vida comunitária, inclusive aquela do próprio campus do Fundão. Esses projetos propiciaram o estreitamento dos vínculos entre a graduação, a pós-graduação e o “lado de fora” da sala de aula, fortalecendo o viés extensionista das atividades do IS/PESC.

É por esses caminhos que o LabIS foi se conformando como um projeto de extensão caracterizado por sua interdisciplinaridade, sua proposta de formação dos graduandos e pós-graduandos fundamentada na indissociabilidade do ensino-pesquisa-extensão, sua parceria com outros projetos de extensão e seu compromisso com um Brasil mais igualitário.
Suas atividades atualmente são: desenvolvimento de uma plataforma de jogos educativos populares para smartphones; suporte e desenvolvimento de ações e produtos para a rede brasileira de bancos comunitários de desenvolvimento (moedas sociais digitais); desenvolvimento do LIBRASOffice, uma interface de acessibilidade que incorpora a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) ao pacote de escritório LibreOffice; oferta de cursos de iniciação nas artes e ofícios das linguagens de programação para jovens de escolas públicas estaduais (Ensino Médio).
Para saber mais, acesse o blog do LabIS.



