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O cidadão iluminado

Proposta de tese de doutorado: O cidadão iluminado: a digitalização de consumidores e redes de energia elétrica nos primórdios das smart grids no Brasil

Autor: Paulo Henrique Fidelis Feitosa

Pretende-se analisar os efeitos das smart grids (SG) na digitalização do cidadão-consumidor e dos sistemas de energia elétrica que passam a ser concebidos como “inteligentes” a partir da junção das tecnologias digitais de informação e comunicação (TIC) às redes de energia elétrica, criando uma nova gama de possibilidades de interação por meio de serviços pela internet. Uma das portas de entrada é a noção de “Inteligência” no próprio nome das SMART grids, curiosa por enfatizar uma camada de inteligência adicionada às seculares redes de energia elétrica (HARGREAVES, Nigel; CHILVERS, Jason; HARGREAVES, Tom, 2015). Um olhar a partir de um viés tecnicista reforçaria a concepção de que a inteligência das REI seria algo dado, provido pelas TIC, a ser enxertado nas redes elétricas. Por outra via, espera-se que a análise sociotécnica evidencie a construção do que na prática pode-se mostrar muito mais que simplesmente um enxerto, senão fruto de intensas negociações e construções. Outra porta de entrada procurará analisar inclinações dos discursos a respeito das smart grids relacionando-as a ideais democráticos, notadamente pela maior possibilidade de escolhas como a de gerar a própria energia, privilegiar consumo em horários específicos e facilitar a monitoração da prestação do serviço por meio de aplicações na internet. Entende-se ainda haver espaço no ambiente da pesquisa para um certo engajamento, uma contribuição ética no sentido de questionar para que ou para quem estão sendo “ensinadas” as nascentes redes inteligentes, não necessariamente como intencionalidade, mas como verificadas na prática (LATOUR, 2000).

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