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Humanidades Digitais e tradição libertária na Ciência da Computação

Proposta de tese de doutorado: Do mundo fechado à utopia digital: a tradição libertária na ciência da computação e a constituição do campo de conhecimento humanidades digitais

Autor: Alberto Jorge Silva de Lima

Na medida em que as relações dos humanos entre si e dos humanos com as coisas são cada vez mais mediadas por sistemas informacionais, bancos de dados, protocolos, circuitos e outras entidades, constitui-se não somente uma nova sociabilidade, mas também um novo espaço por onde transitam informações de todos os tipos e através do qual são reconstruídas noções até então estabilizadas pela modernidade, como o próprio espaço, o tempo, a noção de gênero e o que se entende como humano. Neste trabalho de (re)constituição espacial e de (re)construção de entidades, os fluxos relacionais deixam quase sempre rastros, na forma de bits e grandezas elétricas armazenadas em memórias, que codificam, por sua vez, as informações relacionadas a esses fluxos. Sendo assim, vivemos em uma era na qual o traço desses fluxos pode ser computacionalmente acompanhado, (re)feito e, de uma maneira geral, relacionado com redes mais amplas que não estão restritas somente ao universo digital. Neste contexto, o campo das ciências humanas pode ser melhor traduzido, a depender dos métodos de pesquisa utilizados e da própria concepção epistemológica do método, em humanidades digitais, tradução livre para o que, no mundo de língua inglesa, vem sendo chamado de digital humanities, um campo de conhecimento nascido da interseção entre a ciência da computação e as ciências humanas, tendo em vista o desenvolvimento de ferramentas computacionais como suporte para a pesquisa em ciências humanas e também a investigação, com técnicas das ciências humanas e da própria ciência da computação, nas mídias, redes digitais, bancos de dados e outras entidades do ciberespaço. Tendo este enquadramento em vista, este projeto de tese visa (1) mapear a constituição das humanidades digitais como campo de conhecimento no mundo e, especialmente, no Brasil; e (2) desenvolver, a partir de estudos de casos brasileiros, projetos de humanidades digitais, do ponto de vista prático e teórico, em uma perspectiva utópico-libertária, fortalecendo a linha de pesquisa de Informática e Sociedade do PESC/COPPE/UFRJ, interna e externamente, e criando novas conexões epistemológicas, além das já estabelecidas com o campo dos Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias.

 

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